terça-feira, 30 de agosto de 2011

Ore até que você ore!


"Jacó chamou o lugar de Peniel, pois havia visto ali Deus face a face, e sua vida foi salva".
 Gn 32.30

O que estava acontecendo no vale de Jaboque era, na verdade, uma oração. Oração de um homem exausto e farto de sua própria insinceridade diante de Deus. Naquela madrugada Jacó percebeu que tinha a oportunidade de se despir de toda aparato social e maquiagem do coração, e, assim, simplesmente ter um tempo de honestidade na presença do Senhor. Então, insistiu, lutou e se apegou a ela.
Há um conselho puritato que precisamos refletir em nossos dias, que diz: “ore até que você ore”. Certamente não está sugerindo a persistência, por si somente, como uma característica de nossa vida de oração. Apesar de que já não seria uma má ideia, afinal esta é uma clara e repetida ênfase bíblica. Elias orou sete vezes pela chuva antes que visse qualquer sinal de nuvem no céu. Jesus, por vezes a incentivou – um bom exemplo é a parábola em Lc 11.5-13. Além do mais, ele mesmo ora três vezes consecutivas acerca de uma mesmo assunto na ocasião do Getsêmani.
Se por um lado, algumas pessoas precisam aprender que Deus nunca se impressionará com orações longas, e não se inclinará a nos ajudar apenas por que somos tagarelas, por outro lado, outras tantas pessoas precisam entender que Deus não se interessa na brevidade das orações que nada mais são do que negligência disfarçada. Há frivolidade em nos dois casos. E Deus permanece desinteressado em ambos.
Todavia, o que os puritanos queriam de fato dizer é que, em cada momento específico, precisamos orar tanto e com tal honestidade, até que tenhamos a coragem abandonarmos toda formalidade e irrealidade que maquiamos em nossa vida espiritual, tão freqüentes e tão perturbadoras em nosso relacionamento com Deus. Se mantivermos o hábito de orar por apenas alguns minutos, como quem dá por cumprida uma tarefa ordinária, dificilmente entraremos no espírito da oração e não desfrutaremos das delícias da presença de Deus.
Se entregue um pouco mais a momentos a sós com Deus. Apegue-se à oração quando a for fazer. Encare cada momento de oração como uma oportunidade, oportunidade qual a de Jacó.  E, certamente, você poderá ver cada vale em sua vida se transformar em Peniel.

quinta-feira, 4 de agosto de 2011

TRÊS GOTAS DE COLÍRIO PARA ASTIGMATISMO ESPIRITUAL

Nm 13 e 14
Pessoas que sofrem com a imperfeição visual chamada astigmatismo, de um modo geral, enxergam os objetos próximos e os distantes de forma distorcida, sobretudo as imagens em profundidade. Trata-se de um mal muito comum entre os seres humanos. A boa notícia é que pode ser facilmente corrigido ou curado com o auxílio de lentes ou cirurgias oftalmológicas.
Contudo, infelizmente, não são apenas os olhos do corpo os que são acometidos com este tipo de enfermidade. Tão comum quanto, é a dificuldade dos olhos da fé do povo de Deus enxergar com profundidade, clareza e bom foco a mão de Deus em meio às circunstâncias complexas da vida. Basta a menor nuvem apontar no céu de nossos dias, que a visão da alma se turva, embaça e escurece em meio às sombras da murmuração.
Foi assim no êxodo do Egito*, continua sendo em nossos dias. Deus se revela graciosamente a aquele povo disperso e acomodado – apesar de aflito e sofrido –; realiza sinais, milagres e prodígios para provar seu poder e interesse em resgata-lo; provê liberdade, comida, liderança, destino, e propósito, rumo a uma terra que “mana leite e mel”; e permanece insistentemente presente, cheio de paciência, perdão e apego. E mesmo assim esse povo não o enxerga.
Diariamente, da mesma forma que o povo de Deus nas narrativas de Números, perdemos o foco em Deus. A companhia cuidadosa desse Deus é desfocada em prol do vislumbre das dificuldades do dia. Das tribulações e ansiedades da vez. A voz do Deus vivo, real e Pai, é distorcida pelos vultos de nossas murmurações. As cores de seu amor e poder sobre nosso cotidiano permanecem invisíveis aos olhos ansiosos e insensíveis ao Espírito que é Santo e tão participativo.
Precisamos de pelo menos três gotas de um bom colírio bíblico nos olhos de nossa alma, para enxergar Deus, para ver com esperança. Primeiro um pingo de memória para visualizarmos o passado e distinguir toda graça, presença e providência divina em nossa história, mesmo nos dias mais escuros – nos esquecemos com facilidade das bênçãos recebidas. Em seguida, uma gota de arrependimento e sensibilidade para enxergarmos o tamanho de nosso ego, a dureza de nosso coração e cegueira de nossa dependência em Deus – precisamos de perdão, sempre precisamos. Por fim, um pingo de esperança para olharmos adiante e vermos que existem promessas de Deus para vida. Percebendo que elas nunca saíram do lugar – os propósitos de Deus podem nos revelar novas perspectivas.
Precisamos de olhos que vêem e distinguem o Deus bíblico em nossa história, envolvido em nossos dias, dos mais límpidos aos mais nebulosos, interessado em nossa felicidade, e focado em nosso futuro, com ele. Que você possa ver com olhos da fé. Que você possa vê-Lo, nítida e claramente. Que seus olhos tenham foco!
*Leia os livros de Êxodo e Números na Bíblia para observar isto.