terça-feira, 28 de agosto de 2012

Ainda falando sobre Fé




“Ao entrar no povoado, dez leprosos dirigiram-se a ele. Mesmo de longe gritaram: Jesus, Mestre, tem piedade de nós! Ao vê-los, ele disse: Vão mostrar-se aos sacerdotes. Enquanto eles iam, foram purificados” (Lc 17.12-14).

Os milagres de Jesus registrados nos evangelhos invariavelmente no
revelam o Filho que veio levar sobre si dores, aflições e transgressões de muitos,
devolvendo saúde, paz, perspectiva e dignidade. Cada milagre permite que um
facho de luz do céu clareie a percepção humana de que o Logos de Deus se manteve
interessado em restaurar a verdadeira humanidade às pessoas que ele encontrou.
Devolvendo suas vidas à mera, porém boa, normalidade.

Pode-se perceber tudo isso na ocasião da cura dos dez leprosos. O Mestre
devolve com graça e capacidade mais do que a saúde que um dia aqueles homens
experimentaram, lhes restaura a civilidade. A vida social é possível novamente. Dez
anônimos leprosos podem retornar à suas casas, abraçar novamente suas esposas e
filhos. Podem novamente ir ao mercado, e passear pelas ruas do bairro. Eles podem
mais uma vez ir e vir; podem ter e ser. Tudo isso porque Jesus passou por perto num
certo dia e eles creram que se tratava de uma oportunidade absoluta e única. “Jesus,
Mestre! Tem misericórdia de nós!”.

Este episódio mostra que Jesus tem poder e interesse pra sarar nossas vidas,
por mais abrangentemente arruinadas que possam estar. Entretanto, também nos
ensina sobre a vitalidade da fé que agrada a Deus. Pura e simples. Sem ponderações,
nem pré-requisitos. Aos dez somente lhes coube expectativas maiores – em muito
superiores à suas circunstâncias –, e obediência. Nem mesmo promessas
justificaram a fé daqueles desaventurados leprosos. Apenas convicção de que Jesus,
aquele sobre quem ouviram surpreendentes notícias, o Amor, estava passando por
ali.

Quantas vezes não temos esperado que seja Cristo quem grite por nós, e
chame nossa atenção com sinais e benção particulares tão caprichosamente
reivindicadas? Com isso perdemos a oportunidade da Sua presença a cada dia, que
espera de nós confiança, e não exigências. Que espera que aprendamos o caráter
confiável do Mestre. Que espera que aprendamos a fé destes dez. Que pratiquemos
melhor a expectativa que Jesus nos permite, a convicção pelo que dele ouvimos, e a
obediência ao que ele nos fala. E seu cuidado certamente nos seguirá,
surpreendentemente, antes mesmo que dermos muitos passos de pura e simples fé.

Um comentário:

  1. É impressionante como nos esquecemos das coisas mais básicas. Às vezes a gente tenta andar no "caminho de Deus" (aos nossos próprios olhos) pelas nossas forças. Tudo o que precisamos fazer é falar com Ele. Como você disse, a gente fica esperando que Cristo CHAME a gente, enquanto deveríamos estar nos relacionando com ele.

    ResponderExcluir