sexta-feira, 25 de março de 2011

Espiritualidade Diet, Light e Zero

O jejum já não é popular para o cristianismo contemporâneo. Não seria uma grande surpresa se descobríssemos que nossos filhos pré-adolescentes nem sabem do que se trata. Pois ai está um assunto mal compreendido, mal divulgado, e, por isso – ouso dizer – certamente mal praticado. A curiosidade é notar que, paradoxalmente, nunca se falou e se empreendeu tanto esforço em dietas, regimes e educação alimentar como nas últimas décadas. Alimentos light, diet e zero (sem deixar de mencionar os mais recentes free e low) preenchem as prateleiras e geladeiras dos lares preocupados e empenhados com a saúde/estética de seus habitantes. Novos hábitos, medidas e até determinadas abstinências são formadas diariamente ao redor da mesa para a glória de um corpo melhor, mais belo. Afinal, jamais foi difícil para o homem se amar... Se amar demais.
Talvez isso explique a impopularidade do jejum comparado à democracia das dietas: a motivação e o alvo. Com as dietas, os alimentos diets e Cia, perdemos os doces e sabores dos alimentos por apego de nosso corpo. Com o jejum nós perdemos o alimento todo por amor da glória de Deus. Esta opção pode parecer demais para nossos dias se tivermos de compará-la com aquela. Pois estamos sempre ocupados demais, com as mãos repletas de coisas e ambições que nos dizem respeito (Mc 4.19). Se for para renunciar alguma coisa, que seja para o nosso bem. Somos nosso maior objeto de valor e assunto predileto de nossa ocupação.
É assim, tanto amando a nós mesmos que desprezamos a glória de Deus em nossa semana, em casa, e ao redor da mesa. Não conseguimos desfrutar prazer em Deus além de nosso ego e cuidado próprio. Capazes de nos comprometer com regimes alimentares, mais reticentes em ter tempo com Deus, acabamos por adorar nossa "corporalidade" e conquistamos uma espiritualidade diet, light, zero.
Precisamos valorizar a presença de Deus e sua glória ao ponto de estarmos ocupados e disponíveis a elas. Ao ponto de sentirmos saudade dEle durante numa terça-feira qualquer, enquanto cuidamos de nossas vidas... enquanto trabalhamos, pensamos, comemos ou deixamos de comer. Piper diz que "o maior inimigo da fome por Deus não é o veneno, mas a torta de maça. Não é o banquete dos perversos que enfastia nosso apetite pelo céu, mas o infindável beliscar à mesa do mundo e do ego. Não é a obscenidade do vídeo, mas o chuvisco da trivialidade do horário  nobre que nós sorvemos todas as noites". Assim, é mais fácil sermos impedidos de banquetear à mesa do amor do Senhor por envolvimento com suas dádivas do que por conflitos com seus inimigos.  É um pedaço de terra, uma junta de bois, é uma esposa (Lc 14.18-20). São os "deleites dessa vida" que sufocam nosso desejo por Deus (Lc 8.14).
A saúde, a beleza, o corpo, os prazeres, as coisas e bens, nosso tempo e estômagos, tudo nos é concedido por Deus para a sua glória antes de qualquer outro fim (1Co 10.31). A compreensão que nos falta é que glória de Deus diz muito respeito à nossa alegria, real alegria. Se crermos nisto, poderemos reconquistar uma espiritualidade saudável, doce, capaz de abdicar mais do que a açucares e calorias para o bem de nosso corpo, mas a nosso ego por amor e saudade do Pai, de sua presença e de sua Palavra, o pão da vida. Que a glória de Deus seja mais desejável que os deleites da vaidade. Que tenhamos fome por Deus mais uma vez, como já foi um dia.

Um comentário:

  1. Muito boa essa postagem. realmente há muita coisa a ser restaurada. Que Deus nos ajude com pastores e líderes a trazer de volta as ovelhas do Senhor à verdadeira espiritualidade. Vou colocar no boletim da IP de Tangará da Serra, com os devidos créditos. Dios te bendiga!

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